segunda-feira, 14 de outubro de 2013

UM CONCEITO DE EDUCAÇÃO

Este texto foi publicado também no Jornal Tribuna de Tangará:

GATTO, Dante. Um conceito de educação. Tribuna de Tangará, Tangará da Serra, p. 07, 23 out. 2013.


Penso que a idéia de Educação desde sempre esteve comigo. Muito antes de pensar em ser professor. Aliás, isto é fato válido para todos, uma vez que quaisquer reflexões em torno das nossas preocupações primeiras, as mais essenciais, são de teor educacional. O que eu quero dizer é que a educação não só tem em caráter sociológico, mas, primeiramente, tem um caráter antropológico e ontológico. O mais desabusado lirismo é educação uma vez que esclarece alguma coisa de nós para nós mesmos.
Normalmente quando se pensa em educação, no entanto, não se abrem as asas com tamanha envergadura a ponto de pensar no afloramento das potencialidades humanas. Até se fala, mas dentro de uma concepção mais fechada: se pensa em preparar homens para serem produtivos dentro de uma determinada concepção de mundo. E as questões se fecham num metadiscurso. No mais das vezes, resumindo a questão, a coisa se reduz a homens que se prestam à missão de ensinar outros homens a reproduzirem um estado de coisa. Na verdade, isto não é educação, apesar da enorme estrutura organizacional em torno das chamadas instituições de ensino, as escolas.
A educação, como a concebo, é um impulso inerente ao fenômeno humano e se resume em criar condições propícias ao desenvolvimento do mesmo. Duas tendências são próprias ao fenômeno humano e cabem em duas palavras: liberdade e transcendência. Liberdade no assumir com autonomia um projeto de vida que o leve a superação. Todo homem deve ser agente, nunca reagente, nunca rebanho, sob pena de viver um processo, digamos assim, de deseducação na medida em que isto inibirá a sua essência criadora.
Uma vez professor, meu envolvimento tornou-se mais preciso por força, é claro, da profissão e surgiu a preocupação em torno da motivação. Um paradoxo, aliás, tendo em vista a idéia de transcendência do fenômeno humano. Ora, por que preciso motivar meus alunos? Por que lhes falta motivação? O que é motivador? Quem foi que inventou a desmotivação já que nascemos tão motivados para aprender, não é?
A ideologização da educação criou situações acabadas, metafísicas, verdades absolutas, e se institucionalizou a palavra ensinar. O resultado disso, na maioria dos casos dos desmotivados, foi a morte do criador que em essência todos somos. A Motivação como força inerente do fenômeno humano consiste em fazer as pessoas acreditarem no seu potencial de criar. Quem já experimentou isto sabe do que eu estou dizendo. O criador é aquele que sonha, acredita na sua utopia maravilhosa e mesmo não sabendo como realizá-la caminha neste sentido. Caminho este para o ser. Pensamento e vida se conjugam nesse processo. Não o pensamento raso, subserviente as prerrogativas do ter que escravizam os homens aos podres poderes de um sistema de lucro material.

Posso dar agora uma definição mais acabada dentro das minhas poucas possibilidades. Educação é unidade de pensamento e vida, sonho e realização, na qual criatura se descobre criador, buscando um caminho de liberdade e superação. Aliás, o mito do deus único, criador, nos consagrou imagem e semelhança dele, não é assim?

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