segunda-feira, 8 de abril de 2013

SOBRE ARTIGO CIENTÍFICO


          Temos todos experiências particulares no processo de amadurecimento científico. Talvez, seja a concepção de artigo científico a mais perturbadora dessas experiências. Por um lado, impõem-se-nos exigências exteriores, e muitas, apelando para nossa produção; por outro, há os estímulos de ordem pessoal e psicológica. Quero dizer: ao mesmo tempo que nos perguntamos das características do artigo científico, temos que estar produzindo artigos científicos. Em muitos casos, tais perguntas inibem a produção, ou, por outro, fazemos surgir artigos de uma pesquisa em processo, como um capítulo de uma dissertação de mestrado, por exemplo, que ainda não está acabada. No desenvolvimento da pesquisa, damo-nos conta que o capítulo merece ajustes, complementos, retificações etc., mas lá se foi o artigo, publicado, a perturbar a nossa consciência de pesquisador.
          Andrade (1997, p.64), indagando dos objetivos de um artigo científico, expõe, por um lado, o sintoma das condições de produção e, por outro, a natureza dialética do pensamento científico: "seus objetivos tanto podem dar conhecimento dos resultados de pesquisas originais concluídas ou em andamento, como abordar de forma nova uma questão antiga; ou ainda, desenvolver aspectos secundários, não explorados, de um tema; analisar e expor assuntos controvertidos".
          Ocorre o mesmo com Medeiros (2003, p.244) ao tentar estabelecer os motivos para a elaboração de um artigo científico: “existência de aspectos de um assunto que não foram estudados suficientemente ou o foram superficialmente; necessidade de esclarecer uma questão antiga; inexistência de um livro sobre o assunto; aparecimento de um erro”.
          Talvez (mais um), sejam este alguns dos motivos da discrepância entre as produções de algumas revistas científicas, bem como o tratamento vago, a definição ampla, que os livros de metodologia enfocam o problema. A ABNT (NBR 6022), traz a seguinte definição: “texto com autoria declarada, que apresenta e discute idéias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento”. Pelo que tudo indica, principalmente pelos limites impostos, não se tem uma extensão determinada. Salvador (1977, p.24) argumenta, neste sentido, a característica determinante de um artigo: “Os artigos científicos, que constituem a parte principal de revistas, são trabalhos científicos completos em si mesmos, mas de dimensão reduzida, já que não possuem matéria suficiente para um livro.”
          Há concordância dos pesquisadores quanto aos tipos de artigos científicos. A saber: analíticos, classificatórios ou argumentativos. Os analíticos, pouco comuns, inclui descrição, classificação e definição do assunto e levam em conta a forma e o objetivo pretendidos. Em geral, sua estrutura é a seguinte: definem o assunto, apresentam aspectos principais e secundários, partes e relações existentes. O artigo classificatório, muito utilizado, apresenta uma ordenação de aspectos de determinado assunto e a explicação de suas partes. Sua estrutura é a seguinte: definição do assunto, explicação da divisão, tabulação dos tipos e definição de cada espécie. Já no artigo argumentativo, com o qual temos mais intimidade, há o enfoque de um argumento e depois a apresentação dos fatos que provam ou refutam tal hipótese. Exige pesquisa profunda do tema. Sua estrutura é a seguinte: exposição da teoria, apresentação de fatos, síntese dos fatos, conclusão.
          Quanto à estrutura, deve ter um artigo científico:

1.      Identificação
1.1.   título de trabalho;
1.2.   autor;
1.3.   credenciais do autor;
1.4.   local das atividades;
1.5.   resumo em português;
1.6.   palavras-chave;
1.7.   abstract, ou résumé, ou resumem;
1.8.   key words, ou mots-clés, ou palabras clave.
2.      Corpo do artigo:
2.1.   introdução,
2.2.   desenvolvimento e
2.3.   conclusão.
3.      Elementos referenciais:
3.1.   referências bibliográficas;
3.2.   apêndice e anexos, se for o caso.

          As especificações (espaçamento, fonte, paginação, citações, referências etc.) ficam por conta do Periódico que tomará por norma as determinações da ABNT.
          As indicações acima não tem o poder de abrir perspectivas para produtores de artigos científicos. São orientações que fazem sentido para quem já está inserido, e envolvido, com a produção dos mesmos. Resumindo e concluindo: se ensinar talvez não seja preciso, uniformizar, com certeza, é preciso.
As especificações (espaçamento, fonte, paginação, citações, referências etc.) ficam por conta do Periódico que tomará por norma as determinações da ABNT.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Maria Margarida de. Como preparar trabalhos para Cursos de Pós-Graduação: noções práticas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). Artigos em publicação periódica impressa. NBR 6022. Rio de Janeiro: ABNT, 2003.
MEDEIROS, João Bosco. Redação científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
SALVADOR, Ângelo Domingos. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. 6. ed. Porto Alegre: Sulina, 1977.

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