sexta-feira, 15 de março de 2013

SOBRE RESENHAS

SOBRE RESENHAS

              Temos experimentado, no cotidiano acadêmico (UNEMAT, curso de Letras), dissabores (discentes e docentes) diante da resenha. Penso que o problema não está na impossibilidade de se exigir resenha na graduação como já me foi explicitado. A resenha é importante como instrumento para o levantamento bibliográfico ou ao estabelecer prioridades de leitura, ou, ainda, para estabelecer necessidade de fichar ou não o texto original. Além disso, propícia desenvolver a mentalidade científica: capacidade de síntese, de interpretação e de desempenho crítico. Devemos, pois, deixar claro o que entendemos por resenha ao solicitá-las dos acadêmicos, bem como fazer a devida distinção, como proponho aqui, entre resenha crítica e resenha descritiva ou informativa, e qual seria mais oportuna na graduação e na pós-graduação.

              Medeiros (2003, p.158) adverte para o fato de que resenha crítica é tarefa para professores e especialistas, exige: envolvimento com o assunto; conhecimento de obras similares para estabelecer comparação, e maturidade intelectual, uma vez que implica avaliação e o inevitável juízo de valor.

            Temos, pois, duas possibilidades: a resenha crítica e a resenha descritiva. Aquela, como vimos, exige erudição. Sendo assim, enquanto trabalho acadêmico é cabível mais propriamente nos curso de pós-graduação, no processo de realização das monografias, dissertações e teses. A resenha descritiva seria mais adequada à graduação: por um lado, está próxima ao fichamento, por outro, inevitavelmente apontará o caminho do acadêmico á resenha crítica. 

            Conforme Fiorin e Platão (1990, p.426), “a resenha pode ser puramente descritiva, isto é, sem nenhum julgamento ou apreciação do resenhador”. Conteria, então, uma parte descritiva com informações sobre o texto (autor, título, editora, local e data); e uma parte com o resumo do conteúdo da obra (assunto tratado, ponto de vista adotado, perspectiva teórica, gênero, método, etc.). Cabe, ainda, uma síntese apontando os pontos essenciais do texto e seu plano geral.

            Medeiros (2003, p. 160-162) propõe “condições de abordagem e inteligibilidade” que servem para “qualquer texto”: delimitação da unidade de leitura; análise textual; análise temática; análise interpretativa; problematização e síntese pessoal.

            O primeiro passo é, portanto, delimitar a extensão da leitura. Intuitivamente fazemos isto: caminhamos por etapas com quem sob uma escada. Vale, por vezes, saltar degraus, valendo-se de muita segurança. Nesta circunstância, o efeito do tombo, se for o caso, será sentido muito depois.

             A análise textual compreende fases que não permitem o menor descuido: estudo do vocabulário e conceitos; verificação das doutrinas expostas; sondagem de fatos apresentados e a autoridade dos autores citados.

             A análise temática evidencia pontos importantes: assunto de que trata o texto; tema, isto é, a perspectiva em que foi tratado o assunto; problema evidenciado no assunto e a tese, isto é, como foi solucionado o problema.

             Na análise interpretativa entram a posição própria do autor da resenha sobre as idéias do autor do texto resenhado. A argumentação daquele deve se orientar, também, por idéias de outros textos similares. Acrescenta Medeiros (2003, p.161): “Deve-se situar o autor dentro de sua obra e no contexto da cultura de sua área. Destacam-se as contribuições originais”.

             Em seguida, a problematização. Consiste em explicitar as questões levantadas pelo texto.

             Por fim, a síntese: deve abordar todas as fases anteriores com concisão e originalidade.

             Conforme Lakatos e Marconi (1985, p.210-220) e Andrade (1987, p.62-63), podemos estabelecer um esquema básico para a resenha, tendo como suporte as condições que levantamos acima. Observe que os itens negritados não seriam próprios à resenha descritiva. À resenha científica, no entanto, caberia todos os itens: referência bibliográfica, conforme ABNT; informações sobre o autor; detalhamento das idéias principais; conclusões do autor; quadro de referência: modelo e método utilizados; julgamento da obra: como ela se apresenta em relação à outras obras do gênero; mérito da obra: contribuição, originalidade das idéias e nível de ampliação dos conhecimentos; estilo e nível de linguagem; disposição das idéias e público alvo.   

           Temos, pois, duas possibilidades: a resenha crítica e a resenha descritiva. Aquela, como vimos, exige erudição. Sendo assim, enquanto trabalho acadêmico é cabível mais propriamente nos curso de pós-graduação, no processo de realização das monografias, dissertações e teses. A resenha descritiva seria mais adequada à graduação: por um lado, está próxima ao fichamento, por outro, inevitavelmente apontará o caminho do acadêmico á resenha crítica. 


REFERÊNCIAS

ANDRADE, Maria Margarida. Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação: noções práticas. São Paulo: Atlas, 1997.
FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1990.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1985.
MEDEIROS, João Bosco. Resenha. In: Redação científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. p.158-180.

Um comentário: