quinta-feira, 26 de abril de 2012

SOBRE O NEOCLASSICISMO E A CORRENTE LITERÁRIA CHAMADA ARCADISMO

            Temos refletido os momentos literários a partir do contexto. E o fazemos relacionando-os ao conteúdo e à forma (estética), que, como sabemos, conjugam-se também. Nada é aleatório, a mais desabusada fuga da realidade, na literatura, ainda se faz suportada na realidade e se faz passível de um estudo analítico. Inclusive, neste sentido, tentando ser eficaz e didático estabeleci alguns suportes reflexivos: o materialismo histórico, a dialética (ou materialismo histórico e dialético) e o que entendemos por Fenômeno humano. Lembram disto? Lembrem e vamos em frente.
            Pois é, o mundo feudal, respondeu dialeticamente às contradições humanas do mundo antigo, o trabalho escravo que suportava a economia antiga, e foi substituído pela economia feudal. Como as contradições humanas já não encontravam respostas no politeísmo, tentamos buscar suporte no pensamento racional e criamos a idéia do deus único, o que para mim é mais um mito. Mas a estrutura da sociedade feudal, extremamente estratificada e a economia fechada, também não deram conta do espírito de transcendência do fenômeno humano e superamos este longo período da história da humanidade, instaurando aquilo que chamamos de Renascimento (Século XIV ao XVI). Como você sabe, no processo dialético, por vezes, a síntese resgata a tese em detrimento da antítese. O Cristianismo/catolicismo do mundo feudal sofreu, como resposta, a reforma protestante. Camões até escreveu sua famosa epopéia, Os Lusíadas com o amparo do universo mítico em detrimento do deus único. O Renascimento foi o primeiro momento da economia burguesa (melhor aqui falar de pré-capítalismo, não é?) com a possibilidade de ascensão social. Mas vamos fazer aquele gráfico que fizemos em sala. Quem sabe agora o entendimento se efetive.


Momentos e aspectos
Mundo antigo (até sec.I, d.C.)
Idade Média (até sec. XIV)
Renascimento (até séc. XVII)
Economia
Trabalho escravo
Feudalismo: troca
Pré-capitalismo
Religião
Mítica, paganismo e politeísmo
Cristianismo catolicismo
Reforma protestante combinado ao espírito pagão do mundo antigo
Sociedade, política
Aristocrática
Estratificada
Ascensão social


Você consegue entender a coerência da transformação dialética a partir da perspectiva do fenômeno humano? Sim? Não? Tente articular a tua dúvida e me pergunte. Vamos em frente.
No Renascimento, o espírito pagão e antropocêntrico do mundo antigo vem à tona novamente. Como você já deve ter percebido, o processo dialético é cíclico.  Vamos avançar no gráfico.


Momentos
Renascimento (até séc. XVII)
Século XVII
Séculos XVIII
Aspectos
classicismo
barroco
Neoclassicismo
Economia
Pré-capitalismo. Grandes descobertas e invenções.
Recessão capitalismo
Amadurecimento capitalista
Religião
Reforma protestante combinado ao espírito pagão do mundo antigo
Jesuitismo e contra-reforma: conflito antro versus teocentrismo
anti-jesuitismo e iluminismo
Sociedade, política
Possibilidade de Ascensão social
Insegurança por conta da mudança. Conflito
Liberalismo e Despotismo esclarecido

               
            Você consegue ver uma lógica do fenômeno humano em se pensando no conflito combinado à recessão capitalista no século barroco e na contra-reforma neste processo? Penso que sim. Penso que o Barroco fechamos bem, não é? É o século XVIII nosso complicador. Vamos tentar entendê-lo.
            A retomada do capital propiciou a superação do conflito. O pensamento iluminista é a resposta à escuridão barroca, dialeticamente pensando. Entre o antropocentrismo e o teocentrismo, combinados no conflito barroco, o homem, digamos assim, se separa de Deus, deixando-o como causa primeira e assumindo o comando da realidade. Instala-se o poder despótico da aristocracia decadente que se combina ao liberalismo, expressando a força da burguesia que detinha o dinheiro.
            Dá pra você fazer os contrapontos? Depois das trevas, luz; depois do forte jesuitismo, o espírito laico à educação; depois da insegurança econômica e social, despotismo com liberalismo... e na base de tudo isto a força do capital burguês.
            Acreditando que você tenha entendido, vamos pensar agora a estética literária, resultante deste contexto.
            Havíamos refletido preliminarmente que a era clássica vai até o romantismo que marca o princípio da era moderna. Não foi isto? Mas, podemos dizer que o barroco foi um período menos clássico que os demais, por conta da possibilidade de criação que ai se anunciou, resultante da falta de mensagem, como comentamos. Pois é, o neoclassicismo, retomando o classicismo e refutando o barroco, foi mais mimético que o próprio Aristóteles e um dos sintomas disto foi ressuscitar a Arcádia, com sua prerrogativa para a natureza e o bucolismo. Mas contribuiu para isto, também, o mundanismo do tempo, com a pressão do capital e a urbanidade.
            Por um lado, o arcadismo, refutará o peso e o conflito barroco, legando-nos SIMPLICIDADE; por outro, refutará a pressão do capital e da mundanidade urbana, elogiando a VIDA CAMPESTRE. Discutimos em sala o caráter artificial deste fenômeno. Vamos continuar refletindo.

2 comentários:

  1. muito bom seu texto professor deu uma clareada nas ideias sobre esse conteúdo refletindo com as aulas passadas da para entender com mais clareza

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