quarta-feira, 18 de abril de 2012

HERÓI

SONETO AO HERÓI PROBLEMÁTICO
(publicado anteriormente com o título “o burguês de mim e a redenção da poesia”)

Quando a minha morte dentro de mim
que o sistema exige intransigente?
Quando se destruirá o jardim
ou a simples consciência da semente?

Quando me farei, também ausente:
acabar, inconsciente do fim?
Quando serei parte dessa corrente?
Quando a minha morte dentro de mim?

Porém, talvez, nada, nada me mude
e eu sempre possa tanto quanto pude
preservando o mesmo discernimento.

Ou, quem sabe, eu seja morto agora
e esse verso que a minha vida mora
o último impulso do sentimento.



(Publicado anteriormente com o título “Soneto”)

Eis que declina o herói da vil cultura-
unemat, o magnífico pateta,
um modelo incorrigível de esteta
de infame e inaceitável estrutura.

Fechou-se numa feroz armadura.
No fundo, escravidão absurda e abjeta...
de uma vida que nunca se completa
porque nasceu na fresca sepultura.

Ignorou absurdas contradições,
absorveu infinitas maldições,
insistindo em bater nas mesmas teclas.

E permaneceu cego à luz do fanal
e se tornou a encarnação do mal
sintetizando o ideal dos seus asseclas.

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